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Contra vs Tetris.

Publicado: 22 de junho de 2010 por Possa em Animação, Tirinhas, Vídeos
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Animação bem divertida.

Palitão, só aparece quando não precisa.

Muito sentido com a morte do nosso querido cartunista, Glauco Villas Boas, preparo um amontoado de informações sobre quadrinhos e tirinhas em geral.

Edmar Bregman, a visão de Glauco sobre o cineasta brasileiro.

A história das histórias em quadrinhos.

As histórias em quadrinhos que conhecemos hoje são fruto da confluência de imagens e textos de modo a representar ação e falas ou pensamentos.

Analisando bem a fundo, pode-se datar o surgimento das imagens desenhadas a mais ou menos  dez mil anos, com as pinturas rupestres (através de análise de Carbono-14 nos pigmentos), que depois deram origem às escritas cuneiformes e hieroglíficas (4000 A.C.). Ou ainda, mais recentemente à invenção da Máquina de Gutenberg (evento relacionado muito intimamente com o surgimento das histórias em quadrinhos).

Aquele que nesta tumba entrar, com fama de mau piadista ficará.

Os precedentes das tirinhas remontam às tapeçarias medievais, e depois às sátiras publicadas nos meios de mídia impressa, onde eram incluídas imagens caricaturiais de figuras importantes com pequenos comentários ou diálogos (recurso que mais tarde originaria o ‘balãozinho’).

No século XIX surgiu o precursor oficial dos quadrinhos,  o livro “Max und Moritz” (“Juca e Chico”, em português), de Wilhelm Busch, onde as ações dos personagens eram acompanhadas de ilustrações, tornando a leitura agradável ao público infantil. Foi aí que houve a inserção dos quadrinhos na sociedade. Como tudo que acontece no mundo (o rádio e o avião) tem um pioneiro desenvolvendo simultaneamente no Brasil, os créditos nacionais são dados ao desenhista italiano Angelo Agostini, que publicava caricaturas com legendas na época do Império.

Nos anos 1920, as tirinhas eram o formato mais popular de publicação, e apareciam nas páginas coloridas dos jornais, aos domingos. Isso causou sua popularização maciça, e nos anos 1930 surgiram os primeiros Comic Books, ou Gibis. Foi a época da criação de Popeye. Dez anos depois, foi lançado Superman, que deu origem aos quadrinhos de super heróis, e em 1940 já havia uma grande indústria de entretenimento baseada nesse gênero. Na década de 50 quase todas as publicações norte americanas eram traduzidas e distribuídas pelo mundo, a grande maioria contendo violência gráfica acentuada, considerada má influência para jovens leitores, o que causou grande pressão dos governos para a criação de um código de regulamentação das HQs.

Wolverine fatia Hulk. A violência gráfica dos quadrinhos - Marvel.

Em 1960 os autores underground vendiam seus trabalhos em esquinas, e depois conseguiram um meio termo entre as autoridades e seu trabalho.

Daí pra frente a quantidade de autores aumentou, bem como as temáticas e os personagens, inspirados pelas mitologias greco-romanas e nórdicas e pelos acontecimentos socio políticos e econômicos, ocasionando o surgimento dos Multiversos (cujos maiores expoentes são hoje o Multiverso Marvel e o Multiverso DC Comics), criando toda uma gama de possibilidades de intercâmbio algumas vezes exploradas.

Nos anos 2000, os quadrinhos japoneses entraram no mercado ocidental com os dois pés no peito, em decorrência da grande popularidade dos Animes. Surgiram no Brasil e na América obras como “Love Hina“, “Cowboy Bebop” (que contêm um tributo a Alan Moore e a Tom Jobim em sua versão animada), “Samurai X”, “Inuyasha” e “Cavaleiros do Zodíaco”, bem como editoras especializadas na importação, tradução e distribuição dessas obras (como a JBC ou a Panini). Também houve o retorno da violência gráfica acentuada em Mangás como “Battle Royale”, “Berserk” e “Gantz“. O boom da pornografia não tardou a agregar consigo o Hentai (termo japonês para designar pessoas pervertidas), mangás voltados para o público adulto, com conteúdo erótico e sexual.

Gantz. Violência e erotismo. Ou erotismo e violência, não faz muita diferença. Tem bastante dos dois.

Recomendjo e Agarantxo.

Pra aqueles que se interessaram, sugiro conhecer as obras de Maurício de Souza (se você não conhece, provavelmente passou os últimos 50 anos dentro de um buraco ou algo assim), Geraldão e Dona Marta (do nosso querido e falecido Glauco), Rê Bordosa, Bob Cuspe e Wood & Stock (do Angeli), Overman, Deus e Piratas do Tietê (do Laerte), Los Três Amigos (dos três anteriores, Glauco, Angeli e Laerte, depois com Adão Iturrusgarai), Aline e La Vie en Rose (do Adão), Preto no Branco (Allan Sieber), as obras do Ziraldo. Também é bom prestar atenção no João Montanaro, garoto de 14 anos que tá mandando muito bem, trabalhando na Mad e na Folha de São Paulo.

Por isso somos lenhadores. Tirinha genial por João Montanaro.

Pra os que curtem a parte gringa do negócio, tem o Sandman, desde sua era de ouro na DC, em 1930 à sua contraparte inspiradora dos Perpétuos (de Neil Gaiman), Watchmen (Alan Moore e Dave Gibbons), “V for Vendetta” (de Alan Moore e David Lloyd), Tex (Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini),  os Multiversos Marvel e DC, Recruta Zero (de Mort Walker), Peanuts (clássico de Charles Schultz), Garfield (clássico de Jim Davis), Dilbert (clássico de Scott Adams), Hagar (clássico do Dik Browne), FoxTrot (de Bill Amend), Calvin e Haroldo (clássico de Bill Waterson), Pickles (de Brian Crane). A maioria deles pode ser vista no site GoComics, que eu recomendo.

Marvel e DC. Responsáveis pela esmagadora maioria das histórias de Super Herói.

Hoje os quadrinhos são consumidos por pessoas de todos os gêneros e faixas etárias, mas ainda assim considerados uma mídia secundária. Observa-se, no entanto, um constante crescimento e evolução dos quadrinhos como mídia impressa e como meio de comunicação. Nunca antes houve tantos assuntos, personagens, opções de leitura e diversidade de opiniões como hoje.

Mas com certeza teremos saudade do tempo em que Los Tres Amigos eram mesmo três.

Los Tres Amigos. Glauco, Angeli e Laerte, cada um auto-retratado segundo seu próprio estilo.

por Titio.