Posts com Tag ‘Mercado de trabalho’

Como dito na introdução do blog a maioria das pessoas que escrevem aqui são estudantes de Publicidade e Propaganda, não a como esconder que o trabalho em uma agência é quase que unanimidade no desejo dos estudantes, segunda-feira apresentaremos um trabalho sobre agências de P&P, considerada a profissão do futuro muitos blogs dão ênfase a Publicidade, olhe na nossa coluna Recomendamos e veja alguns deles.

Um dos melhores deles é o Brainstorm #9, termo muito conhecido por quem trabalha na área de comunicação e até em outras áreas, que se transformou em um ótimo nome para blog.

O blog todos os anos faz uma enquete informal para mostrar em qual agência a maioria dos profissionais e estudantes gostariam de trabalhar. (mais…)

Aparecemos nas revistas e jornais, somos o grosso do público consumidor e hoje estamos entrando no mercado de trabalho. Muitos recrutadores nos odeiam, mas uma minoria nos adora. Nos chamam de Geração Y.

Mas quem somos nós, realmente?

A Geração Y, também referida como Geração da Internet é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, à coorte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela Geração Z.

Definição da Wikipédia.

A geração Y é, na realidade, fruto de todo um cenário econômico e social que levou mais ou menos à uniformização da maneira de pensar do jovem atual (nós!). Comecemos analisando a década de 80.

The 80’s

Era o início de uma certa instabilidade econômica mundial. Países em desenvolvimento adquiriram dívidas monumentais junto ao FMI. Um deles foi o México, que em 1982 entrou em crise, que se agravou em 1985, quando um terremoto atingiu a Cidade do México.

O padrão de vida do consumidor subiu, gerando demanda por produtos de maior qualidade, assim como maior consumismo. Foi o revival da economia laissez-faire e do capitalismo exacerbado, bem como a consolidação dos Estados Unidos da América como a maior superpotência mundial (superlativos e pleonasmos intencionais), quando a eficiência das rotas comerciais transpacíficas igualou a das rotas transatlânticas.

Em 1989 a política chinesa (Comunismo de Mercado, lembra?) culminou no massacre da Praça Tiananmen.

Estudante enfrenta tanques na Praça Tiananmen. 3000 mortes. É pra esquecer?

Foi também uma década marcada pelo maior crescimento populacional já visto, principalmente nos países africanos e do sul/sudeste asiático.

Houve guerras e invasões. A Rússia invadiu o Afeganistão durante a Guerra Fria, O Líbano se incendiava em 82, a primeira guerra do Iraque ocorreu de 80 a 88, os EUA bombardearam a Líbia e pretendiam descer detonando a América do Sul pra acabar com o Comunismo e com as drogas (lembrando que tinham alguns anos antes perdido em casa a guerra do Vietnã), e guerras civis irrompiam por toda a África e pela Palestina (como desde sempre).

Sem esquecer da Guerra Fria, da eleição do Ronald Regan, do Gorbatchev, dos assassinatos do Lennon, do Gandhi, do Olof Palme, do início da pandemia da AIDS, das campanhas pelo uso do cinto de segurança, do início da rejeição do fumo (começou aí), do surgimento do “politicamente correto”, do vazamento do navio da Exxon, do desastre em Chernobyl, da desintegração do ônibus Espacial Challenger, dos direitos homossexuais, do surgimento dos Arcade, dos Atari, da Apple, da Nintendo, da popularização dos PCs, da falência da Chrysler, da queda do mercado automobilístico europeu…

Na Cultura Popular houve o surgimento da Disco Music, da MTV, da extrema popularidade de grupos como Queen, Duran Duran e bandas de Heavy, Hard e Thrash. Foi a década do Live Aid, do Hip Hop, do Punk, do House, Techno e de covers fajutos de Michael Jackson com sua luvinha branca e jaqueta de couro. Filmes como “E.T.”, “Indiana Jones”, “Star Wars”, “Top Gun”, “De Volta para o Futuro” e “Crocodilo Dundee” fizeram sucesso, assim como Super Mario Bros, Pac Man, Zelda e Tetris.

Créditos: Erik Johansson - http://www.alltelleringet.com

Enquanto isso, na Terra do Índio Pelado…

…não só os índios como o resto do povo acabava pelado. Lembra do Fernando Collor e seu plano genial de congelar as contas dos bancos brasileiros? Teve gente por aí que foi morar dentro de barril.

Mas antes disso rolou um quebra-pau em São Paulo por causa da inflação e dos aumentos de impostos, que envolveu também sindicatos. Adivinha quem foi preso no meio da muvuca? Beijo do Titio pra quem lembrar…

"É... Não lembro não..."

Foi aí que tivemos de segurar a barra da inflação e da dívida externa (que tinha começado lá na época do Kubitschek) pra poder agradar o FMI. Pra ajudar, o MST invadia propriedades privadas pra incitar uma reforma agrária, sem saber (ou sabendo, vai saber…) que as invasões só atrapalhavam o plano econômico que o Figueiredo (sim, ainda estávamos na ditadura militar) bolou pra sair da saia justa. Daí pra frente vem as “Diretas Já” e uma sucessão de mandatos, uns canalhas (o Collor) e outros que nem sequer assumiram (o Tancredo Neves, avô do Aécio, que morreu na véspera da posse), outros que inventaram de privatizar as estatais e outros que abraçaram e levaram pra cama o populismo.

No meio dessa zona onde os políticos não mudam (lembrando que esse ano é ano de renovação da câmara e do senado), as gerações foram se sucedendo… Nossos pais nos colocam no mundo e gradualmente cedem lugar a nós (enquanto eu procuro emprego minha mãe quer mesmo é se aposentar), e as empresas podem encarar nossa chegada olhando meio torto…

Afinal, qual a diferença entre nós e nosso pais ou avós?

Como nossa geração é vista.

Definições simplificam problemas. Mas toda a simplificação superficializa o debate do problema. Tal ato, o de definir, é necessário pelo simples fato de sermos diferentes, mas compartilharmos de certas características muito peculiares.

Estudos psicológicos colocam nossa geração como Estimulada, Engajada, especialista em multitasking, ambiciosa, informal, inovadora, escolarizada, autodidata, preparada, ansiosa…

Obviamente tal definição não se aplica a todos, mas a maioria das pessoas de 18 a 25 anos que está se inserindo agora no mercado de trabalho se encaixa nesse perfil. Os Empregadores pensam duas vezes antes de contratar um Y exatamente por chegarmos muito bem preparados para o mercado de trabalho, mas sem vivência ou experiência, com vontade de passar por cima dos procedimentos da empresa, garra para crescer e fazer nosso nome.

Somos fruto de cada fato passado na década de 80 e 90, de pais preocupados com nossa formação acadêmica e preparo profissional (afinal vivemos num mundo onde trabalhamos a vida toda). Somos preocupados com questões sociais (hoje em dia ninguém é racista) e ambientais, devido ao consumo de mídia e informação (minha namorada não suporta ver torneira escorrendo, exatamente por causa das campanhas publicitárias em prol do meio ambiente). Constituímos um ótimo público consumidor de novas tecnologias, algumas delas muito direcionadas a nós (tente fazer sua avó usar twitter), com uma ótima capacidade para ensinar nossos superiores (explique a seus pais o que é Twitter), e temos uma grande tendência a aceitar e utilizar produtos de telefonia celular que fazem muito mais do que fazer e receber ligações. Gostamos de conectar nossos mundos e criar informações para poder compartilhá-la com o mundo.

"Mais que fazer e receber chamadas? O meu nem isso!"

Formamos um ótimo mercado consumidor, e a publicidade já se adaptou a nós. Mas será que o mercado de trabalho se adaptará a nós ou nós é que teremos que nos adaptar?

E você? Como se vê? Se encaixa no perfil da chamada Geração Y? Não se encaixa?

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