Quando deixamos nosso túnel do tempo para uma pequena pausa, Roger Waters bancava o ditador em cima do Pink Floyd. Isso não foi necessariamente ruim, mas também não foi exatamente bom. O grupo passou por um período realmente produtivo e criativo, com Waters puxando as composições e mandando em todo mundo a torto e a direito. Obviamente isso criou alguns atritos, mas eles só seriam graves alguns anos mais tarde.

Em 1975, o Pink Floyd lançou o “Wish you Were Here”, álbum cujas letras falavam de ausência (muitas vezes referida a Syd Barrett, segundo alguns fãs) e da podridão da indústria musical. É um álbum bastante melancólico. Soa mais ou menos assim:

Um tom bem peculiar de baixo, junto com o estilão blues de guitarrista, melodias e harmonias intrincadas nos teclados, samples muito interessantes e viradas de bateria super simples e geniais faziam o Som do Pink Floyd. Era, agora, uma banda bastante espacial e melodiosa, em contraponto com a psicodelia do início da carreira. A banda mais uma vez tentava se encontrar e amadurecer. Entrara em contato com seus primórdios na gravação do vídeo “Live in Pompeii”, um show sem platéia, exceto pela banda e pela equipe de som e filmagem, gravado nas ruínas de um anfiteatro na antiga Pompéia. No vídeo, apenas músicas mais antigas e longas (muitas vezes as mais negligenciadas), junto com backstages do “Dark Side of the Moon” e algumas entrevistas feitas nos estúdios da Abbey Road.

Durante as gravações de “Shine On You, Crazy Diamond” ninguém menos que Syd Barrett decide aparecer. Pra quem não sabe, a música toda foi feita em homenagem a ele, que na ocasião estava obeso (devido ao excesso de carne de porco) e com a cabeça toda raspada (inclusive as sobrancelhas). A banda caiu em prantos.

Em 77, o Floyd tomou rumos mais Rock and Roll. Abandonou o excesso de sintetizadores, os solos de saxofone e os vocais femininos pra focar mais em guitarras  e músicas mais pesadas. O álbum do ano era “Animals”, baseado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Nele, Waters (mais que nunca monopolizando as composições) se utilizava de cães, ovelhas e porcos pra se referir aos tipos da sociedade atual. O disco é composto de 5 músicas, sendo que a primeira e a última são canções de violão e voz praticamente idênticas, que duram aproximadamente um minuto e meio cada. As outras composições são rocks com grande presença de distorção da guitarra, tempos e melodias progressivas, que duram de 10 a 17 minutos.

Quanto à icônica capa do porco voando entre as torres da Estação de Energia Battersea, realmente foi utilizado um gigantesco balão em forma de porco, inflado com gás hélio. Reza a lenda que um atirador foi contratado pra ficar a postos caso o porco se soltasse dos cabos. No entanto, o primeiro dia estava com um tempo e iluminação péssimas para fotografia, e um segundo dia foi escolhido para tentar a fotografia, mas o produtor do disco esqueceu de chamar o atirador. Como que sugerido pela Lei de Murphy, o porco se soltou e saiu flutuando por aí, para ser avistado por vários aviões que o identificaram como “um porco voador” e depois recuperado no meio de um campo em Kent, propriedade de um fazendeiro muito ranzinza que reclamou que o porco havia “espantado seus corvos”. Um terceiro dia foi marcado para outras tentativas de fotografia, mas nenhuma delas ficou boa. Foram então utilizadas técnicas de câmara escura para colocar a imagem do porco sobre a imagem da fábrica (Photoshop era algo que nem rolava naquela época).

HAH! Todo mundo conhece essa. Lançado em 1979, “The Wall” foi provavelmente um ponto alto na popularidade do Floyd. Também foi o ponto alto da teatralidade e da ditadura do Waters. Apresentações ao vivo do disco incluíam a construção de um muro de verdade entre a banda e a platéia, tudo para simbolizar a alienação de um músico, tema do álbum, que é conceitual e duplo. Aparentemente a idéia surgiu quando Waters escarrou no rosto de um fã que tentava subir ao palco em uma das apresentações, quando percebeu como queria se isolar daquilo tudo. Atritos mais significativos surgiam entre Roger Waters e David Gilmour, e o produtor, Bob Ezrin, conseguiu conciliar tais problemas de maneira primorosa. No entanto Waters também andava meio brigado com Mason e com Wright. Tais richas internas foram crescendo a ponto de a banda não mais se sncontrar em estúdio, e gravar as partes do álbum separadamente. Por uma série de falhas de comunicação na banda, Waters acabou por expulsar Wright da banda, para depois contratá-lo como música coadjuvante durante a turnê.

O álbum também foi adaptado para um filme: “Pink Floyd’s The Wall”, que era estrelado por Bob Geldof (sim, aquele maluco do Live 8), que por acaso achava o som do Floyd um lixo na época, e também contém animações de autoria de Gerald Scarfe, desenhista político. O filme conta a história de um músico que teve o pai morto durante a Segunda Grande Guerra, foi criado por uma mãe superprotetora, humilhado na escola e cresceu desgarrado, para então desenvolver algumas neuroses e alienações.

Em 1983, o Pink Floyd lançou “The Final Cut”. A banda encontrava-se tão fragmentada que o que ocorreu foi a gravação de um álbum fragmentado, como escrito em sua contracapa: “Uma obra de Roger Waters, executada por Pink Floyd”. Todas as canções foram escritas e cantadas por Waters. O tema central desse álbum é a guerra, contando duas histórias distintas e intercaladas através das músicas. A sonoridade mais uma vez se adaptava, entrando para os anos 80. Eram canções com menos solos do Gilmour, mais melodias e bases de violão, bem como sintetizadores e teclados bem crus. Este álbum é até hoje considerado por muitos um desastre.

Logo após esses eventos, Waters decidiu que se cansara do Pink Floyd, e saiu da banda. No momento, os membros restantes, Gilmour e Mason, trabalhavam em seus respectivos projetos solo, bem como Waters. Parecia ser o fim do Floyd.

No entanto, quando Gilmour, Mason e Wright se juntaram pra gravar como Pink Floyd novamente, Waters entrou com um processo jurídico tentando impedir o uso do nome. Chegaram a um acordo fora dos tribunais, e o Floyd pôde continuar a existir, dessa vez liderado por David Gilmour. Em 1985, foi lançado “A Momentary Lapse of Reason”.

Não precisa ser gênio pra perceber que a sonoridade da banda mudou da água pro vinho. Ficou mais, leve, mais lenta, menos tensa e mais espacial, com mais reverbs, a volta dos solos monumentais do Gilmour e dos teclados elaborados e cheios de camadas do Wright. As composições ficaram com mais feeling, um contraponto à agressividade e descaso que o Floyd exibia logo antes da saída de Waters.

No entando, muitos comparam “A Momentary Lapse of Reason” a “The Final Cut”, visto que aquele foi realizado, em sua maior parte, por Gilmour, tendo participações menores de Wright e Mason.

O Pink Floyd só lançaria outro álbum quase dez anos depois, em 1994. “The Division Bell” (título sugerido a Gilmour por seu amigo próximo, Douglas Adams), último álbum da banda, lida completamente com o conceito de comunicação. Teve participação especial de Stephen Hawking em um dos samples.

Falando em comunicação, este álbum teve uma campanha de divulgação deveras interessante: Foi o primeiro jogo de realidade alternativa que aparecceu por aí… Ou o contorno de algo bem parecido… Alguem, se identificando apenas como Publius, começou a mandar mensagens por um fórum de discussão da internet, mencionando um enigma e pistas. Eventos reais se seguiram, conferindo veracidade à campanha. No entanto, o tal enigma continua sem resposta.

Em 1995, foi lançado o “P.U.L.S.E”, álbum e vídeo gravado ao vivo da turnê do “The Division Bell”, que teve seu último show em Earls Court, em Londres. O álbum conta com um setlist incrível, reinterpretações absolutamente deliciosas das músicas mais antigas da banda.

Depois disso, o Pink Floyd só foi se reunir pra shows mesmo a pedido do Bob Geldof, no Live 8, em 2005

Rick Wright morreu logo após uma breve luta contra o câncer, em 15 de setembro de 2008. Ele tinha 65 anos.

O Pink Floyd foi uma banda do caralho e influenciou gerações de músicos. Não precisamos nem falar sobre os prêmios que o Floyd ou seus integrantes ganharam.

Fato é que você pode ouvir praticamente qualquer disco do Floyd e achar normal, mas se ouvir de olhos fechados, ou deitado num quarto escuro, ou do jeito que quiser, vai viajar e descobrir mundos e detalhes completamente diferentes, ver cores, criatiras estranhas e o espaço infinito… Vicie-se nessa banda, é a melhor droga do mundo.

É uma banda pela qual os fãs serão apaixonados pra sempre…

Isso que é Pink Floyd...

por Titio Pentelho.

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comentários
  1. […] This post was mentioned on Twitter by Jean Marcel. Jean Marcel said: RT @Motosserrav8: Blog: Pink Floyd, o Melhor Entorpecente do Mundo – Parte 2 http://bit.ly/a17OtI Vai lá ver! […]

  2. […] Pink Floyd, o Melhor Entorpecente do Mundo – Parte 2 […]

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