Não há o que discutir. Muito antes de haver qualquer i-Doser ou porcarias do gênero, havia o Pink Floyd. Queira, por favor, deixar o vídeo abaixo carregar e só depois continue a ler.

A minha vontade é colocar músicas de 10 minutos, as que melhor exprimem cada fase do Pink Floyd, mas o texto já é longo, e eu quero que essa joça seja lida por todos, e comentada pra caralho.

O túnel do tempo nos leva até 1964, quando uma banda formada por amigos da Escola de Arquitetura Rojen Street, que já tivera vários nomes (inclusive Megadeaths e Tea Set) e várias formações, sem sucesso algum, se desfazia aos poucos. Era o Sigma 6, que com a saída de dois membros, se tornou o The Pink Floyd Sound, e logo depois, Pink Floyd (nome inspirado pelos músicos Pink Anderson e Floyd Council). O set da banda consistia basicamente em covers de Rolling Stones e alguns blues, começou a dar espaço para composições próprias. Na época, a psicodelia e os hippies estavam em alta (vide Yes e contemporâneos), e todo mundo flertava um pouco com o gênero. Foi essa forma que o Som do Pink Floyd assumiu de início. A música acima é a primeira do primeiro disco, “The Piper at the Gates of Dawn”, de 1967.

Inspirado pelo conto infantil “O Vento nos Salgueiros”, o álbum tem letras que falam sobre espantalhos, gnomos, bicicletas e coisas do gênero. Foi gravado nos estúdios da Abbey Road, ao mesmo tempo em que os Beatles gravavam o aclamado “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, sob a label EMI, que assinou contrato com o Floyd em 1966, depois do primeiro show da banda com o nome Pink Floyd (a pergunta “Oh, by the way, which one is Pink?”, presente na música “Have a Cigar”, do álbum “Wish you Were Here” foi realmente feita nessa ocasião).

Em 1968, certas coisas aconteciam com o Floyd. Tais coisas transformaram o som da banda, deixando ele mais ou menos assim:

Essa aí é do segundo álbum de 1968,  “A Saucerful of Secrets”. Nessa época, Syd Barrett, o líder da banda e guitarrista apresentava alguns problemas mentais bem preocupantes (provavelmente Síndrome de Asperger), bem como sequelas de abuso de LSD e uma úlcera péptica. Tais problemas causaram um comportamento deveras bizarro em Barrett, a ponto de ele passar shows inteiros tocando apenas um acorde ou aleatoriamente desafinando a guitarra. A banda passou a não mais levá-lo aos shows, substituíndo-o por David Gilmour, amigo da banda e professor de guitarra.  Tudo isso junto culminou numa gravação extremamente psicodélica, sendo que ao final das gravações, a banda já tinha se afastado de Barrett e contratado definitivamente Gilmour para tocar guitarra, compor e cantar. A voz de Barrett pode ser ouvida na música acima, a última que gravou com o Pink Floyd.

Pink Floyd em 1968: Nick Mason (batera), Syd Barrett (acima, guitarra e vocais), David Gilmour (abaixo, guitarra e vocais), Roger Waters (baixo e vocais) e Richard Wright (teclados e vocais).

Apesar de a banda o ter aos poucos deixado de lado, a sonoridade e o estilo musical de Syd Barrett permearam e influenciaram o timbre e a carreira do Pink Floyd até o último segundo da banda, também influenciando outros músicos como os Beatles, Dream Theater, Riverside, Porcupine Tree e muitas outras bandas, inclusive do gênero Indie (vide The DIAL e Sigur Rós). Barrett foi aos poucos se retirando da música, produzindo mais dois projetos solo e alguns discos de outros artistas, para depois entrar em retiro em sua casa, em Cambridge, e morrer (provavelmente de diabetes) aos 60 anos, no dia 7 de Julho de 2006.

Sim, há exatamente 4 anos. Portanto tome uma cerveja por esse cara hoje, ele merece.

Em 1969, o Floyd lançou dois discos: Um foi encomendado por Barbet Schroeder, cineasta, pra ser usado no filme “More”, e foi batizado de “More – Music from the Film”. O outro foi um álbum duplo cheio de composições  experimentais individuais de cada membro da banda, um pra cada lado de um vinil. Uma doideira só, até no nome: “Ummagumma”.

Essa aí é a terceira parte de  “The Narrow Way”, a primeira grande composição de David Gilmour.

Bem, nós tínhamos decidido fazer o álbum, e que cada um teria que escrever uma peça de música sozinho…na verdade foi um desespero, tentar escrever algo sozinho, pois eu nunca tinha escrito nada antes. Fui para o estúdio e pus-me a tocar, juntando bocadinhos e peças. Há anos que não a ouço, nem faço ideia como é.

– David Gilmour – Sounds “Guitar Heroes” Magazine, Maio de 1983.

Chegaram os anos 70, e com eles o som do Floyd foi mudando. No disco de 1970, “Atom Heart Mother”, a banda flerta mais com o folk, ainda produzindo peças épicas e outras sem tanto sentido (vide “Alan’s Psychedelic Breakfast”, que é uma colagem de sons de um cara tomando café da manhã). O próprio Roger Waters achou que o disco ficou uma merda, mas até a Rede Globo gostou. A música acima, “Summer ’68” foi utilizada num comercial de TV do Banco Central, nos anos 70.

Assista (ou pelo menos ouça) esse clipe até o final, vale a pena. É provavelmente a melhor produção da banda. Lançado em 71, “Meddle”, foi provavelmente o momento em que a banda começou a caminhar de verdade. Sua sonoridade ia se desenvolvendo e se aproximava da que o Floyd apresentaria em sua época de explosão. No mesmo álbum estão até hoje as músicas que a crítica aclama como a melhor e a pior da carreira do Pink Floyd. “Echoes”, uma epopéia de 23:30 minutos e “Seamus“, um pequeno blues de 2 minutos sobre um cachorro chamado Seamus.

“Obscured by Clouds” mostrava praticamente a mesma sonoridade do álbum anterior, mas com o diferencial de ser a primeira vez que o Pink Floyd utilizou um sintetizador em uma gravação. Lançado em 1972, encomendado por Barbet Schroeder (desta vez para o filme “La Valée”), é um álbum muitas vezes ignorado por muitas pessoas, mas mesmo assim bastante bom… Vale a pena ouvir de vez em quando…

Final de 1973. Só o que tocava nas rádios era isso:

O Floyd acabara de lançar o “Dark Side of the Moon”, um álbum conceitual genial que até hoje é o terceiro disco mais vendido no mundo. Músicas suaves e assoviáveis combinadas com um progressivo leve e de qualidade levaram ao estouro do Floyd. Foi quando a banda ficou conhecida no mundo todo. As letras falavam de assuntos que reprimem o ser humano, como dinheiro (“Money”, provavelmente a música em 7/8 mais popular do mundo), loucura (“Brain Damage”) e guerra (“The Great Gig in the Sky”,sempre choro ouvindo essa música). Mais que nunca, o Floyd se utilizava de samplers contendo diálogos e efeitos estranhos, como de alguém correndo em volta do microfone ou vários relógios tocando ao mesmo tempo. Também ajudou o fato de o engenheiro de som e produtor responsável pelo álbum ser o Alan Parsons.

No entanto, nem tudo era flores. Roger Waters, baixista, começou a se impor cada vez mais nas composições. Tomara as rédeas do grupo e comandava-o de forma quase ditatorial, o que não era necessariamente ruim, na época… Fiquem espertos, na segunda parte desse artigo, que sai ainda hoje, eu conto pros que ainda não sabem, como acabou essa história, e talvez uma coisinha ou outra que você não sabia sobre esse grupo super fodão.

por Titio Pentelho.

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comentários
  1. […] Quando deixamos nosso túnel do tempo para uma pequena pausa, Roger Waters bancava o ditador em cima do Pink Floyd. Isso não foi necessariamente ruim, mas também não foi exatamente bom. O grupo passou por um período realmente produtivo e criativo, com Waters puxando as composições e mandando em todo mundo a torto e a direito. Obviamente isso criou alguns atritos, mas eles só seriam graves alguns anos mais tarde. […]

  2. […] sul africana Sargent Foo, grava musica sobre a vuvuzela A História dos Quadrinhos.O filho da puta.Pink Floyd, o Melhor Entorpecente do Mundo – Parte 1Mick Jagger, Apenas uma lendaLord of the rings + vuvuzela2010 Kia Soul Hamster Commercial. Ache seu […]

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