O que está por trás de uma gincana saudável como o trote solidário de Americana?

Não sei exatamente, mas que algo estranho rolou no dia 26 de março de 2010, na Câmara dos Vereadores de Americana, rolou. Mas vamos começar do começo, pra que você possa entender o motivo do post.

Hum... Vamos analisar...

Começando do começo.

Tudo começou no dia primeiro de fevereiro, às 19 horas. Os calouros do UNISAL entravam pelos portões da escola. Alguns se safaram da chuva de tinta que caiu em um dos portões, outros não tiveram tanta sorte. Entrei pelo portão menos movimentado, procurei minha sala, encontrei, entrei e me sentei. Imediatamente comecei a me enturmar. Os professores do dia logo chegaram e começaram a organizar a sala para uma dinâmica com o intuito de apresentar a sala a si mesmo.

Logo a dinâmica foi interrompida. O  coordenador do curso de Publicidade e Propaganda entrou na sala e se apresentou. A primeira coisa que foi dita por ele, logo após sua introdução, dizia respeito ao trote solidário.

É um programa de arrecadação que acontece em todas as turmas ingressantes, e nesse ano, ocorreria em dois níveis. Primeiramente, as salas de calouros dos cursos superiores do UNISAL competiriam entre si, e o prêmio seria uma noite com entrada gratuita No Canto. O segundo nível seria uma competição entre todas as turmas ingressantes das instituições de ensino superior, médio e técnico de Americana, “estimulando o exercício da cidadania, a preservação ambiental e a participação comunitária”.

Capitão Crivelari, mentor do programa Trote Solidário, com seu melhor sorriso.

No ato achei a idéia interessante. Muito melhor que os atos violentos de trote que ocorrem Brasil afora. No dia seguinte, uma das alunas assumiu a responsabilidade de incentivar a sala a limpar guarda-roupas, doar colchões, alimentos e o que quer que pudesse ser doado. Fui provavelmente o primeiro aluno a fazer doações significativas, mas não fui o único. Vários outros se juntaram, e até dia 8 de março, data limite que nos foi dada, havíamos juntado uma quantidade significativa de materiais.

Há uma semana, a turma de Publicidade e Propaganda foi informada que vencera a primeira etapa do trote solidário. Os alunos, todos felizes e com a sensação de dever cívico cumprido, ganharam ingressos para uma noite No Canto. Logo então os alunos foram avisados de um evento que ocorreria na Câmara Municipal de Americana. Resolveram que tentariam comparecer em peso.

Infelizmente não pude comparecer, então o relato a seguir é baseado nas narrativas de quem esteve presente.

O dia, baseado em fatos reais.

Na sexta feira, 26 de março de 2010, alunos de todos os cursos foram até a Câmara, acompanhados de professores, coordenadores de curso e diretores. A UNISAL ocupou três fileiras do auditório da Câmara, o maior grupo do auditório. Foram apresentadas, aos vereadores e ao público, as estatísticas de cada escola, bem como fotos das ações. Um dos vereadores não estava presente. Vamos chamá-lo aqui de Doutor Cara-de-Pau.

O Vereador Doutor Cara-de-Pau, ausente da casa no dia 26.

Na apresentação da UNISAL constava a Mostra Criativa, que incentivou a integração saudável entre calouros e veteranos de todos os cursos, e o Trote Solidário, com a apresentação dos números e das fotos da entrega dos bens angariados (que pode ser vista aqui, em forma de notícia). Coisa linda. Apenas o curso vencedor (Publicidade e Propaganda) arrecadou 4 colchões, 5 endredons “zero-bala”, várias toalhas e um gazilhão de camisetas (grande parte delas era minha). No total da instituição, foram 200 brinquedos, mil camisetas, 300 calças e centenas de extras (saias, shorts, alimentos, produtos de limpeza, mamadeiras…)

Um caminhão de coisas. Literalmente.

Uma determinada instituição, doravante chamada de XXX, apresentou um arquivo de Power Point com os valores e metas da instituição, alguns números da campanha e nenhuma foto. Na tal apresentação, constava a arrecadação de 583 ítens da categoria “material escolar”, totalizando 170 kits (o que também consta no site deles, que eu não vou colocar aqui). No auditório estavam cerca de meia dúzia de alunos da XXX, e diziam eles que algumas vans cheias de alunos da XXX estavam para chegar (coisa que, segundo fontes, não aconteceu).

Depois houve um discurso. Foi anunciado que a instituição vencedora era a XXX. Levantaram-se simultaneamente três fileiras de alunos, que se dirigiram para a saída, indignados, antes mesmo do fim do discurso. Foram trocados olhares de indignação, em diferentes intensidades.

Depois fui me lembrar de um pequeno fato: nosso querido Doutor Cara-de-Pau, até onde me recordo, também é Diretor de Marketing da XXX.

Com certeza algo estranho aconteceu ali.

Não me aborreço com a XXX, ou com os alunos dela. Gosto um bocado deles e da iniciativa que tiveram em sua campanha. Também não me aborreço por ter “perdido” o prêmio do Legislativo Americanense, estou feliz em ter feito o que fiz e sei que pra alguém isso fará a diferença. Aborreço-me apenas com o Doutor Cara-de-Pau pela sua (mais que aparente) jogadinha. Aborreço-me pelo fato de o incentivo à cidadania ter sido negado a uma instituição mais esforçada, e dado a uma que não se esforçou tanto, em detrimento de uma jogadinha. Aborreço-me com a impunidade política desse Brasil, que ocorre em todos os níveis dos três poderes.

Apenas peço aos leitores que pensem bem antes de votar em alguém para evitar esse tipo de coisa. Se um político pode sabotar um concurso cultural para engrandecer uma instituição da qual faz parte, imagine o que mais ele pode fazer. Não há vergonha no voto nulo se não houver boas alternativas.

E para os criminosos impunes que existem hoje na política, meus cumprimentos:

por Titio Pentelho.

Letras miúdas:

Eu, Dênis José Marcorin, me responsabilizo pelas opiniões desse post. Se quiser encher meu saco, fique sabendo que você é desagradável. Se mesmo assim encher meu saco, você é tão chato que merece uma injeção de água do rio Tietê na jugular. Se quiser tomar medidas judiciais contra mim, vá em frente, mas saiba que tal ação vai contra os direitos de liberdade de expressão previstos constitucionalmente, sem falar que todo mundo vai pensar que se você me processa, eu te ofendi. E se eu te ofendi, fique sabendo que vou me utilizar desse fato pro resto da vida só pra me divertir às suas custas. Não que um blogzinho de segunda tenha o poder de te ofender assim, não é? Então deixe um comentário abaixo e vá cuidar da sua vida. PV, saudações.

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comentários
  1. Tittão disse:

    Infelizmente essa é a nossa realidade, me irrita essa falta de postura e dignidade de algumas pessoas que estõ no poder, digo “algumas” para não generalizar esse bando de BUNDAS que não fazem PORRA nenhyuma e ainda ficam fazendo essa jogadinha mediocre, como se ganhar um premio fosse mais importante que ajudar alguém…

    Meus cumprimento à todos, e assim segue a humanidade….

    Ah, eu conheço esse sr. Cara de Pau…..

    Sem mais delongas….No fio da navalha…

  2. Flávia disse:

    Que isso tudo chegue aos ouvidos de quem merece!
    Obrigada por defender nosso curso aqui, Denis, precisamos que todos saibam as falcatruas que acontece quando há poder nas mãos de quem só sabe usar em benefício próprio.
    O papelão é usar nossa Faculdade, tão conceituada, para fingir uma competição e fazer uma marmelada dessas.
    É meu queridos, o Brasil precisa de gente com visão sim, mas que vise o bem para todos, só assim poderemos começar a ver justiça acontecer.

    Beijinhos.

  3. Stein disse:

    Fiz o comentário (antes) na correria, pois eu não quis deixar para mais tarde, com isso ficou cheio de erros. Alem de tudo, o certo é “apanhar”.
    Às vezes o povo é burro ou passivo diante de tudo e com isso os políticos pensam que o povo precisa “apanhar” para “acordar” ou “aprender”, assim é mais dinheiro nos bolsos, cuecas e meias, mas esse “apanhar”, “acordar”, e “aprender” é uma desculpa que cada político arranja para passar a conversa na própria consciência.

  4. Knicks disse:

    Fantástico, assino em baixo…..

    Realmente foi uma pouca vergonha o que aconteceu, todos tem o direito de estarem indignados uma vez que nos esforçamos tanto para sermos derrubados por jogadinhas e tramoias, caso tivéssemos perdido de maneira honrada, não haveria problema nenhum em reconhecer uma instituição com melhor desempenho, mas perder um premio assim, sabendo que fomos os melhores deixa qualquer um irritado, os verdadeiros ganhadores foram os moradores que serão beneficiados com as doações, então não haveria problema do Sr. Cara-de-Pau em nos dar o premio “simbolico” como merecido….

    Se manipulam até pequenas competições entre faculdades no interior, imaginem o que esses “tipinhos” fazem em grande escala no nosso Brasil.

    Vergonha por morar em um país com pessoas assim.

  5. Stein disse:

    Titio Pentelho, você esta mais que certo de ficar indignado.
    Em Americana existe uma panelinha que começou com os antigos nomes “importantes” da cidade. Eles deixam a cidade fechada a qualquer grande indústria, hiper mercado e empreendimento que concorra com o deles.
    Um bom candidato que conseguir ser vereador terá que entrar na panela deles ou não será ouvido nem aprovado, será um nada. Quem manda em Americana é “os” ou “o” mais rico, com os aliados ou “puxa sacos”.
    Grandes firmas foram para cidades vizinhas para os “grandes” não terem concorrentes. Fecharam ruas no São Vito para beneficiar firma (de algum grande), dizendo que era para ela não sair da cidade e para não aumentar o desemprego, mas não falam nas grandes firmas negadas, que foram para Sta Bárbara e Nova Odessa. Nunca aceitaram Hiper Mercado em Americana para não concorrer com a W….me (de algum “importante”). Parece-me que na Avenida Brasil, só terá um Hiper, porque pediu licença na Federal para poder entrar em Americana, os grandes impediam, por isso que a Tivolli é na divisa, fora de Americana. Desisti de lutar sozinho, pois os grandes compram, pagam ou coisa pior quando querem tirar obstáculos e o povo é igual cordeiros dizendo amem a tudo. Se o povo lutasse unido, mas a gente desiste quando ouve: mas ele é tão linnndoo. O pior é quando a gente tenta fazer algo e o povo começa olhar torto para a gente. Então penso: o povo tem os políticos que merece. Às vezes o povo é burro e com isso os políticos pensam que o povo precisa apanhar para acordar ou aprender, assim é mais dinheiro nos bolsos, cuecas e meias.
    Abraço

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